Por que o Brasil abre sempre a Assembleia Geral da ONU?
O Brasil tem a distinta honorabilidade de abrir as sessões anuais da Assembleia Geral das Nações Unidas, uma tradição que remonta à era do pós-guerra. Não há regra específica na Carta da ONU, mas o país manteve essa atuação por tradição diplomática.
A prática foi iniciada em 1949 para evitar dar primazia às superpotências dos Estados Unidos e União Soviética no evento. Hoje, o discurso de abertura serve como um espaço estratégico para analisar a conjuntura internacional, defendendo temas globais.
O profissional da Fundação Armando Alvares Penteado, Lucas Leite, explica que o Brasil teve papel decisivo na formação da Organização. O diplomata Oswaldo Aranha foi fundamental na criação do Estado de Israel e sempre esteve no centro de negociações multilaterais.
A abertura dos discursos dá ao Brasil uma plataforma privilegiada, com direito a maior visibilidade em discussões internacionais. O mesmo professor Lucas Leite salienta que, desde governos anteriormente mais alinhados até o atual do presidente Lula, os discursos tendem a apoiar desenvolvimento sustentável e autonomia global.
A tradição reflete um papel internacional respeitado, mesmo em tempos de maior potencial militar dos Estados Unidos. Para Leite, essa prática não é apenas simbólica, servindo como uma plataforma para o Brasil em meio a um cenário multilateral complexo global.
Fonte: Internacional e Geopolitica
